12 badaladas, 12 passas, 12 desejos!
Pedir desejos é bom! Resgata a esperança. Ajuda a configurá-la. Mas não, não chega para conquistar o futuro. Os desejos precisam de ser polidos, acarinhados, construídos. Precisam de ser transformados em projetos viáveis.
Sim, desejar é bom!
Gosto muito do Natal. Sempre gostei.
Mas ao lembrar-me de algumas histórias, em que a melancolia e o sofrimento parecem andar lado a lado com o Natal, não posso deixar de me perguntar: porque é que, para tantas pessoas, parece haver uma espécie de anti-Pai Natal que, no saco, traz tudo menos magia?
Quase todos os filmes de Natal que via em miúdo tinham, de uma forma ou de outra, uma cena que sempre me impressionou muito. Tanto que as fui condensando a todas numa única imagem: um tipo a vaguear sozinho pela cidade.
O Pedro ainda conseguiu esconder uma ou outra negativa dos pais durante o período. Agora, no espaço de duas semanas (e logo as duas semanas das férias de Natal!), teve de confrontar-se, de uma assentada, com o próprio insucesso (que andou, todo o período, a tentar varrer para debaixo do tapete), com o misto de desilusão e zanga bem estampado no rosto dos pais, e com a pergunta inevitável dos tios e dos avós, na noite de consoada: “então e a escola? Mereces os presentes?" Como se isso não bastasse, veio, também, o comentário da tia: “a tua prima teve dois 4 e o resto tudo 5”. Entre a fúria contida, o embaraço e o medo enorme de, na verdade, ser incapaz de fazer melhor, o Pedro não vai, provavelmente, ser capaz de muito mais do que um encolher de ombros à medida que o rubor toma conta do seu rosto.
A Maria é professora vai para 14 anos. Entre horários completos, parciais e substituições conseguiu colocação em todos os anos letivos. Quase sempre longe de casa. Este ano não é diferente: faz 160 Km diários para se poder multiplicar entre as turmas do 5º e 6º ano, o marido e a filha de 6 anos.
Chegada a hora de concorrer ao Ensino Superior, o entusiasmo pela arte de ensinar falou mais alto do que as vozes preocupadas que a aconselhavam a optar por uma área com um futuro mais seguro.
Ainda a tragédia de Paris. Alguns de nós (por medo, creio) apressaram-se, de forma mais aberta ou mais velada, a associar os atentados da eterna Cidade Luz aos refugiados. Não, muitos de nós não esperaram sequer pela confirmação de que o suposto passaporte sírio é mesmo verdadeiro. Não passou, sequer, pela cabeça da maioria de nós que se pudesse tratar do passaporte de uma das vítimas da carnificina no Bataclan. Porque, claro, não há como um cidadão sírio gostar de heavy metal. Só poderia ser, claro está, o passaporte de um terrorista que, para além das bombas e da Kalashnikov, fez questão de levar a sua identificação consigo para facilitar o cruzamento de dados à polícia.
