O Duarte tem 10 anos acabados de fazer. A festa foi rija. Vieram todos os amigos. Todos menos o Frederico. Os pais acharam que ele tinha de ficar a estudar para o exame de Matemática. Rija, mas dominada pelas conversas acerca do exame da próxima semana. Conversa de pais, claro, que o Duarte e os amigos estavam mais interessados em tirar as teimas do 2-2 que a chamada para entrar da Professora impediu de desempatar.
Parecia não ouvir uma palavra das minhas interpelações, enquanto jogávamos futebol. Ele fazia-o com muita arte, mas de forma quase displicente. Parecia estar com a cabeça em todo o lado menos naquele campo improvisado. Facilitei, de forma bem disfarçada (achava eu!) a entrada de um golo seu, para puxar pela competitividade. Nesse exato momento, aquele menino, aparentemente alheado, pára, olha-me nos olhos e diz-me: tu deixaste entrar o golo de propósito!
