E se marcássemos às 9?

12Fev.

 Ainda andava às voltas com a ressaca do divórcio. Sem saber bem como, o mundo desabou. Assim, de uma assentada (por mais que há muito as brechas se viessem a aprofundar). A cama era, agora, grande demais para tanto vazio. Só o Bernardo, nos fins-de-semana e 4ª feiras que ficava com o pai lhe conseguia arrancar um sorriso rasgado. Muitos meses depois vieram, finalmente, as férias. E com elas uma espécie de Verão teenager (como lhe chamara). Na ressaca de uma vertigem de festas, exageros alcoólicos e relações de ocasião, o Pedro estava, agora, mais metido consigo. Depois de um Verão de mais “anestesia” do que de “reconstrução”, era tempo de ligar os pensamentos.

29Jan.

Uma infeção respiratória não tornou muito fáceis os primeiros meses da Maria. Primeira filha e primeira neta, merecia as atenções preocupadas de todos. O primo que se lhe seguiu, 9 meses mais novo, viria, anos mais tarde, a fazer furor no infantário, que isto de começar a ler aos 4 anos não é para todos. A Maria não lia, ainda. Brincava! Brincava muito! E crescia bem: com o olhar vivo e a sensibilidade apurada, o imaginário a expandir e o corpo a mexer (É para isto que deve servir o jardim de infância, não é?). Da infeção respiratória sobrava apenas, lá ao longe, uma espécie de fantasma parental de que talvez a Maria precisasse de mais “bengalas” do que os outros. Talvez um bocadinho por isso; talvez um bocadinho para “compensar” a distância nas competências académicas para o primo leitor precoce (que, com o passar dos anos, não existia de todo na realidade dos factos, mas parecia bem viva no medo dos pais), a mãe da Maria sempre fez por estudar com (por) ela.

15Jan.

Todos esperavam que seguisse Medicina. O percurso brilhante no Secundário permitia-o. A tradição familiar deixava-o antever. O pai, homem arejado e afável, sempre lhe disse que devia seguir o que o fizesse feliz. Ainda assim, não deixava, de quando em quando, de lhe enviar para o e-mail uns artigos de Harvard, não fosse o Miguel esquecer-se que cresceu numa família com pergaminhos na Medicina. Talvez por isso o 12º ano tenha sido tão difícil para ele. Não tanto pela pressão da média, mas mais por se sentir dividido entre a paixão pela Economia e o que sentia ser uma espécie de obrigação implícita de receber do pai o estetoscópio que, por sua vez, tinha herdado do avô. Cheio de dúvidas e angústias, num sopro de vida, agarrou a Economia com unhas e dentes! Afinal de contas (como lhe dizia o avô vezes sem conta): “nunca podemos deixar fugir uma paixão!”

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