Abriu a porta do armário, não para tirar a bola como costumava fazer, mas para entrar e se aconchegar no escuro, em posição fetal. Quando, um punhado de segundos depois, eu abria a porta, incandescia-se-lhe o rosto num sorriso luminoso.
Depois de repetir vezes sem conta estes movimentos pendulares de esconder-se/ser encontrado/ esconder-se/ser encontrado, o Francisco perguntou-me se tinha filhos, primeiro; onde vivia, depois, e, por fim, se recebia outros meninos. Expliquei-lhe que vivia suficientemente perto para estar sempre à espera dele na nossa hora; e que podiam vir todos os meninos do mundo que aquela continuaria, sempre, a ser a sua hora. Só sua! Não satisfeito, continua:
Nota: Atendendo ao profundo respeito pela intimidade das pessoas que me dão o privilégio de guardar as suas histórias e aos princípios deontológicos a que estou vinculado (de sigilo, nomeadamente), como não poderia deixar de ser, este, como todos os textos do blogue - sendo, por vezes, inspirado num ou noutro aspeto de histórias reais - está muito longe de corresponder a uma descrição literal.


