E se marcássemos às 9?

22Abr.

Já tinha feito várias comunicações, para os mais diversos públicos. Mas desta vez era diferente. Ia falar com alguns dos colegas que mais admirava sentados bem na primeira fila da plateia. Se ficou muito orgulhosa com o convite, a verdade é que a ideia de falhar perante os seus Mestres a atemorizava. Começou tensa, com a voz levemente trémula, mas rapidamente ganhou confiança, começando a discorrer, com alma e saber, sobre os assuntos que a apaixonam.

16Abr.

Os bebés nascem muito antes do parto!

 Ganham vida, no coração dos pais, de cada vez que lhes sonham as feições, as manhas, as qualidades ou as birras. Dão puladas de gigante de cada vez que, entre o medo e o entusiasmo, lhes adivinham a bondade, as conquistas, a inteligência ou a beleza. Este bebé imaginário (como lhe chamou Soulé) encontrará o bebé real no parto e com ele seguirá vida fora, como que lembrando aos pais a beleza da diferença e da autonomia.

18Mar.

O “olha que eu digo ao teu pai e ele diz-tas” foi condensando, por demasiado tempo, um modelo de parentalidade (e de relação entre homens e mulheres e entre estes e as crianças) mais ou menos clivado: a mãe protegia, cuidava e dava colo. O pai punha o pão na mesa e era o rosto da Lei e da ordem familiar. A mãe era dócil, afetuosa e tinha um colo do tamanho do mundo. O pai era duro, distante e nunca se comovia. Afinal, “homem que é homem não chora” e emoções, se as tinha, era sua obrigação escondê-las atrás de um ar grave e sisudo.

26Fev.

Vamos, em algumas circunstâncias, olhando para as emoções como se, de repente, sem mais nem para quê, se pudessem transformar num qualquer material perigoso, que nos tolda o bom senso e nos domina a razão. Talvez por isso, vamos usando máximas como: “pensar com a razão e não com o coração”, presumindo, como Déscartes, que as pessoas se podem partir ao meio: razão (e cabeça) para um lado, emoção (e corpo) para outro. Como se, de repente, o pensamento racional e as emoções não fossem processadas no mesmo cérebro e no mesmo corpo, em circuitos e estruturas intimamente ligadas entre si.

19Fev.

A Maria foi crescendo com a ideia, mais ou menos difusa, de que gostar muito de alguém – e pior, poder dizê-lo olhos nos olhos – é expor-se a uma vulnerabilidade a que uma mulher (ou um homem) do séc. XXI não se pode dar ao luxo. Foi sendo assim com os amigos, com os pais e com os amores. Não se lembra de, alguma vez, na adolescência, ter sido muito expressiva com a melhor amiga na hora de lhe dizer que aquela amizade era importante para ela ou de, numa formulação simples e clara, ter manifestado gratidão pelos inúmeros movimentos bondosos da amiga… como se os implícitos não precisassem da palavra e do ato para verem a luz do dia.

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