A Maria faz parte dos quadros da função pública há mais de 20 anos. Não está na secretaria por estes dias. Já conta com 3 baixas psiquiátricas no currículo. Depressão diz o relatório. O Jovenal, mais sonolento a cada dia que passa, não dorme 3 horas seguidas vai para um ano. À noite, apaga a luz e acende-se a angústia. As preocupações, que o cansaço e a ocupação vão adormentando durante o dia, vêm em catadupa, aos trambolhões, na hora de dormir. Parte da fatura tem sido paga pelas máquinas industriais: a rapidez e eficiência com que sempre as reparou e afinou têm vindo a diminuir a olhos vistos. As linhas de produção ressentir-se-ão em breve. E, com elas, a faturação da empresa.
A promoção da saúde mental (através da psicoterapia, nomeadamente) é, antes de mais, uma questão de humanidade e equidade social – justificação muito mais do que suficiente para a implementação de uma estratégia integrada de saúde mental. Mas, na era em que tudo cabe num indicador económico, é bom lembrar o mais recente relatório da OCDE sobre esta matéria. Dele parece decorrer que os gastos com uma estratégia sustentada de promoção da saúde mental não são bem custos. Serão antes investimento com retorno. Às poupanças com baixas e prestações sociais, junta-se um aumento significativo da produtividade do trabalho. Nós não andávamos a precisar desesperadamente de fazer crescer o PIB?!
(Inspiração: http://www.oecd.org/employment/fit-mind-fit-job-9789264228283-en.htm)
Nota: Atendendo ao profundo respeito pela intimidade das pessoas que me dão o privilégio de guardar as suas histórias e aos princípios deontológicos a que estou vinculado (de sigilo, nomeadamente), como não poderia deixar de ser, este, como todos os textos do blogue - sendo, por vezes, inspirado em histórias reais - está muito longe de corresponder a uma descrição literal.


